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O homem na caverna: por que ele se fecha quando algo aperta

Ilustração: O homem na caverna: por que ele se fecha quando algo aperta

Aconteceu alguma coisa no trabalho, ou em casa, ou dentro dele. Ele fica quieto. Passa mais tempo na oficina, no celular, na academia. Responde "não é nada" com a cara de quem está a mil quilômetros. E quanto mais a mulher pergunta, mais longe ele parece ir.

Eu fui esse homem por bastante tempo, então falo de dentro. O recolhimento não costuma ser desprezo por quem está do lado. É o único jeito que muitos de nós aprendemos para processar o que não sabemos nomear.

O treinamento que a gente recebeu

O menino ouviu cedo que homem não chora, que precisava ser forte e resolver sozinho. Ele não aprendeu a dar nome ao que sente, e quando o desconforto aparece, o corpo entende como falha. Falar viraria admitir que não deu conta. Então ele se afasta para se recompor antes de voltar a ser alguém apresentável.

Tem outra camada, que aparece muito nas constelações: o homem que vem de um pai ausente ou fechado não tem, dentro dele, a imagem de um adulto que sentia e falava. Ele repete o que viu, mesmo tendo jurado que seria diferente.

O que ele sente lá dentro

Do lado de fora parece frieza. Do lado de dentro, quase sempre é vergonha. Vergonha de não estar dando conta, de ter falhado com alguém, de estar com medo. A caverna é onde ele espera essa sensação passar sem que ninguém veja.

Por isso a pergunta "o que você tem?" dá tão errado. Ela pede exatamente o que ele não tem no momento, que é a palavra. E cada repetição da pergunta soa como uma cobrança a mais na lista das coisas em que ele está falhando.

O que ajuda, do lado de fora

Presença sem interrogatório. Dizer uma vez que você percebeu, que está por perto, e continuar a sua vida. Frases curtas funcionam melhor que conversas longas: "eu vi que você não está bem, estou aqui quando quiser". Depois, silêncio de verdade, sem cara de espera.

Homem costuma falar melhor de lado, não de frente. No carro, caminhando, lavando louça, fazendo alguma coisa junto. O olho no olho, que abre a mulher, fecha muitos homens.

Perseguir quem se recolheu confirma para ele que ficar perto é ser cobrado.

O que cabe a ele

Nada disso desobriga o homem. Recolher-se é humano, sumir por semanas sem dizer uma palavra é abandono, e cobra um preço alto de quem fica do lado de fora.

O trabalho aqui é aprender uma habilidade nova, que ninguém nos ensinou: avisar. "Estou mal com uma coisa do trabalho, preciso de dois dias e depois eu te conto" é uma frase simples que muda a temperatura de uma casa inteira. Ela não exige que ele saiba explicar o que sente. Exige só que ele tire a outra pessoa do escuro.

E é possível aprender. Eu aprendi tarde, e vi muitos homens aprenderem depois dos cinquenta. A parte difícil não é a técnica, é aceitar que precisar de ajuda não tira nada da sua força.

Quer dar um passo nesse tema?

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