Alex Possato, O padrão do bonzinho no amor: quando se anular vira hábito

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Padrões que se repetem

O padrão do bonzinho no amor: quando se anular vira hábito

Por Alex Possato ·

Meu irmão tinha questões psicológicas sérias, mais tarde diagnosticadas. E eu era o bonzinho. Ele aprontava, e a família dava atenção, quarto só pra ele, viagens. Eu, obediente, quando pisava na bola, castigo. Cresci com uma sensação: o problemático é premiado, o bonzinho é punido.

Isso gera raiva e uma sensação de injustiça. E também um lugar confuso: ser bonzinho e não receber o que seria justo? Ou aprontar, arcar com tudo, e ainda esperar algo em troca? Depois de adulto, eu oscilava entre o rebelde e o certinho. E as minhas relações navegavam nesse mesmo limiar.

O padrão do bonzinho no amor

Quem cresce nesse lugar aprende a se anular para ser aceito, e ao mesmo tempo guarda uma revolta antiga por nunca ser suficiente. No relacionamento, isso vira um jogo cansativo: fazer muito, agradar, engolir, e esperar em silêncio um reconhecimento que raramente chega do jeito imaginado.

Vi esse padrão também na minha família, em avós e pais, cada um com a sua mistura de bondade e falha. As referências de relação passavam sempre por aí: uma imagem que, com o tempo, se desfazia.

A única garantia é o autoconhecimento

Tive dificuldade de me relacionar, porque queria a paz que não tive e, ao mesmo tempo, queria sair do convencional. E um complicado costuma encontrar outro complicado. Mesmo assim, sempre acreditei no relacionamento.

A única garantia para não se ferir não é escolher a pessoa certa, é o autoconhecimento: saber quem você é, os seus valores e limites, e ainda assim se abrir para o novo. Sair do papel de bonzinho não é virar durão. É parar de se anular e começar a se colocar, de igual para igual.

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