Será que dá para amar em meio aos descontroles emocionais? Cristine tinha surtos. Do nada gritava, depois chorava, e então se sentia culpada. Fillipe olhava para ela e, do alto de uma calma que parecia sabedoria, dizia: calma, amor. E ela se enfurecia mais ainda. Ele então se recolhia e ia jogar no computador.
Cena conhecida? Na nossa forma de trabalhar, ajudamos os dois a olharem a mesma pergunta: o que esse desequilíbrio quer ensinar, para cada um?
Cada reação tem uma história
Fillipe cresceu vendo o pai explodir por questões de trabalho e se acalmar sozinho, no canto da sala. A mãe dizia: deixa ele lá, pra não piorar. Ele fazia o mesmo com as explosões da namorada. Cristine conviveu com uma mãe sobrecarregada, o pai tinha ido embora cedo, e ela cresceu insegura, sentindo-se pouco cuidada. O que os dois viviam no presente vinha de muito antes.
Olhar para emoções difíceis é um gesto de amor, e também um exercício. A situação vai provocar medo, raiva e a vontade de acalmar tudo ou de fugir. Em alguns casos, a briga se instala. Mas o conflito pode unir o casal, desde que cada um aprenda três coisas.
O que o conflito pode ensinar
- Que a própria reação emocional tem a ver consigo, não com o outro.
- Que o adulto que existe em você dá conta de sentir medo, raiva ou tristeza.
- Que não é preciso interferir no descontrole do outro, e sim olhar com compaixão.
O aprendizado é sempre dos dois. A gente cura feridas antigas quando é jogado numa situação tensa. Quando a lição é aprendida, os episódios de desequilíbrio diminuem, até a paz se instalar. Às vezes o casal segue junto, mais maduro. Às vezes se separa, porque a lição se completou. E aí começa outra: aprender a viver o amor de forma consciente.
Sim para o Amor